... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco
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11 de outubro de 2011

Esfolhar o milho

Por cá ainda se descamisa o milho...
Já lá vai o tempo em que a esfolhada era motivo de alegria  e convívio.  Os cestos de verga foram substituídos pelos baldes de plástico, os carros de bois já não transportam as canas do milho para a eira, mas curiosamente ainda é lá que se faz a desfolhada... e os poucos canastros que ainda se conservam - onde as espigas eram armazenadas -, é mais para turista ver.
Os cantares fluíam em uníssono dos lábios dos presentes, quer fossem coreias, viras ou chulas, muitas vezes como pretexto para uma dessas danças. Os jovens participavam entusiasmados na esperança de encontrar milho-rei para poderem dar um beijo ou um abraço à namorada.

O milho-rei é a espiga vermelha ( pela tradição, a pessoa que desfolha quando encontrava esta espiga, dava um abraço a todas as pessoas presentes). A desfolhada, esfolhada ou descamisada terminava sempre em festa, com a merenda ao som das concertinas e danças pela noite dentro.
Já quase nada é como outrora. Há quem diga que o saudosismo é passado morto, mas cá por nós vamos continuar a guardar um punhado de milho rei e a deitá-lo à terra no tempo da sementeira.