... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco

25 de outubro de 2013

Mau tempo no pomar e na horta tudo bem

O temporal dos últimos dias cá por Codeçais fez-se sentir e bem com particular incidência no pomar com o derrube e destruição de algumas árvores de que é exemplo a foto de um damasqueiro que foi cortado cerce à caldeira.

A circunstância de nos situarmos a cerca de 400m de altitude explica quase tudo.

Já na horta, a muita chuva veio em benefício dos nossos legumes. A penca plantada na 1ª semana de setembro e que esperamos vir a colher lá para o Natal está exuberante e o mesmo se passa com a couve rôxa.



17 de setembro de 2013

Marmelada

Fazer doce de marmelo é sinal de que os dias estão mais pequenos e normalmente já os dias vão mais frescos... mas ao contrário de outros anos ainda vai tanto calor!

Apesar de grande parte dos nossos  marmelos estarem bichentos , aproveita-se o que se puder para fazer a marmelada.


Ora, a novidade é que conseguimos fazer marmelada em apenas 30 minutos. Para tal utilizamos uma máquina de cozinhar, muito conhecida no mercado, e ... adeus à colher de pau e às longas horas de mexidelas na panela, por vezes, com queimaduras à mistura. O resultado final é em tudo idêntico.

Esta é uma das tais modernices que nos dá descanso

8 de setembro de 2013

Romaria de Valinhas em Monte Córdova

A última grande romaria do ano nesta região decorreu hoje.
A romaria à Senhora de Valinhas tem raízes muito profundas num passado de séculos, confirmadas nas Inquirições Gerais de 1758.
carvalhal de Valinhas
A modesta capelinha é emoldurada por um magestoso e também secular carvalhal a cujos troncos já não se amarram as guitas dos burros mas que fazem sombra e proporcionam descanso a tanta gente que lá se desloca e em cujo  chão ainda são estendidas inúmeras toalhas, das mais diversas cores, com apetecíveis farneis e, pese embora a abundância das bebidas modernas, ainda deparamos com o bem português garrafão de tinto ou  branco, agora mascarado de plástico no seu aspeto.
Seria injusto falar de uma romaria de séculos omitindo toda a força de um povo, incansável no trabalho, gente em luta constante com a aspereza de um planalto que se situa acima dos 400 metros, da severidade dos invernos, dos caminhos ingremes, de carreiros e atalhos, mas que mesmo assim sempre soube organizar-se. A prova disso é-nos dada - mais uma vez -  através das Inquirições Gerais de 1758, confirmando a existência de uma feira anual de quatro dias no arraial de Valinhas  nos dias 5, 6, 7 e 8 de Setembro
Capela de Valinhas (ornamentada em 2013)
e cuja festa à Senhora do mesmo nome se realizava sempre no dia 8, aí se juntando comerciantes que levavam os melhores frutos produzidos em Monte Córdova e também eram levadas sementes de centeio, milhão e milho miúdo, vinho verde, animais de criação, ferramentas e instrumentos agrícolas.
Séculos antes da era Cristã já por aqui se fazia sentir a romanização de que é testemunho o castro luso-romano existente no Monte Padrão e os apontamentos da via romana junto à capela de Valinhas; o Mosteiro de S. Salvador de cuja existência nos conduz às preces e orações da mãe de S. Rosendo e ao seu nascimento e baptismo no princípio do século X;  a existência da Casa da Justiça em Redurado; da sua indesmentível fé na igreja de Cristo, albergando 7 capelas, uma igreja paroquial e uma basílica, concorrendo para que se realizasse em média uma festa por mês 
Da ruralidade de tempos idos, as gentes de Monte Córdova caminharam e caminham de forma segura na modernidade, de forma escancarada, ao mundo envolvente atual.

*António Assunção
(nota: não carece de autorização a reprodução deste texto no todo ou em parte, é apenas indispensável mencionar a fonte , o autor e o meio visualizado)

22 de agosto de 2013

Feijão verde e abóbora porqueira...

... de bom e de mau ano de colheita.
Nestas duas últimas semanas a colheita diária de feijão verde tem rondando entre mais de 1kg e 1,3kg excedendo largamente o consumo cá da casa e ainda bem que é assim porque nos permite congelar para consumir mais tarde.
De péssimo ano tem sido a produção de abóbora porqueira. Das muitas dezenas semeadas não conseguimos colher, até hoje, uma só que seja para guardar e consumir mais tarde. Nunca tal nos tinha acontecido. Começam por amarelecer e apodrecem sem chegar a tamanho razoável de colher.
A mãe do nosso " mestre de lavoura" diz-nos que é por passarem sede. Achava  estranho porque temos abundância de água, mas... afinal tenho de concordar que seja essa a razão. Ao arrancar alguns pés de abóboras verifiquei a existência de galerias escavadas pelas danadas das toupeiras. Temos esta praga a competir com as culturas e pouco ou nada podemos fazer.


16 de julho de 2013

Morangos

Chega de lamentações... o que lá vai, lá vai.

Nos últimos três anos ( desde que nos instalamos aqui em Codeçais ) temos vindo a dispensar um cuidado  atento ao cultivo do morango e temos sido recompensados.
Este ano o consumo de casa não dá vazão a tanto morango com colheitas 2 vezes ao dia.

Vamos deitando mão às maneiras conhecidas de os armazenar para outras épocas.

23 de junho de 2013

Piolho em macieiras e na horta

Vai tudo de mal a pior este ano agrícola, cá na Horta, e de pouco nos vale as lamentações.
Diria que é normal nesta altura o aparecimento do piolho cinzento nos novos rebentos mas a infestação desta praga tomou proporções incontroláveis no nosso pomar, atacando sobretudo as macieiras.
De nada valeu a calda bordalesa como preventivo e a aplicação do óleo de verão. É este o estado em que se encontram. Para tanto terão contribuído as chuvas das últimas semanas e as condições meteorológicas adversas.
Perante situações como esta assalta-nos a dúvida e abala-nos a determinação na agricultura biológica.
A situação abaixo mencionada dará ideia, embora não tenha dado à estampa aqui no blog: -A colheita de favas foi semelhante a anos anteriores mas  obrigou a muito trabalho e redobrada atenção ao piolho que frequentemente aparecia; colheu-se muito menos quantidade de ervilha de grão e de quebrar; a penca deu um ar de graça espigando na sua maioria e a que dava para colher... apoderou-se dela a bicha; a cebola dos dias grandes apresenta dificuldade de crescimento. Nas novidades, as folhas das melancias estão "encarquilhadas" devido ao piolho ; no feijão verde também já foi necessário intervir devido ao mesmo problema do piolho; as beterrabas apresentam o mesmo problema nas folhas e muitos dos tubérculos apresentam rachaduras. No batatal, a variedade vermelha desirée, colhida esta semana, é muito miúda e esperamos que na qualidade kennebec branca,  a colheita seja melhor.
De tudo isto exceptua-se a variedade de tomate coração-de-boi e os morangueiros que, apesar de produzirem menos, não apresentam moléstias ou pragas.
No pomar praticamente não temos fruta: cereja muito pouca; nada em  damascos; nada em ameixas; os nashi têm poucos frutos; pouca pêra e, a enegrecer ainda mais, os pessegueiros foram dizimados pela lepra. 

Paciência e esperança de melhores colheitas no futuro acreditando na AB.

13 de junho de 2013

Alhos...

... a colheita deste ano não é nada animadora.

Ainda há mais para arrancar mas não estão melhores.

Ignoro as condições e as circunstâncias do fraco crescimento, mas pelo menos não são "cabeças de alho chocho".

5 de maio de 2013

Semente de rabanete

Pela primeira vez vamos semear rabanetes.


O seu cultivo afigura-se simples e fácil, requerem água em abundância.

Este pequeno monte de sementes foi oferta da Margarida aquando da visita que nos fez no feriado do 1º de Maio.

O rabanete é um legume saboroso que acompanha bem  em saladas para além das suas propriedades benéficas para a saúde.

18 de abril de 2013

Estacas de glicínia

Há dias atrás fomos presenteados com um bom atado de estacas de glicínia. A altura para efetuar este tipo de estacaria vai um pouco alta - devia ter sido antes da floração -  pode ser que o misto de boa vontade e de teimosia... resulte.
Esta planta trepadeira, na época certa, costuma enraízar facilmente.
Para  tanto basta um substrato de cultivo ( turfa), algumas estacas e  envazar ou diretamente na terra ao ar livre.
Por estas bandas chamam-lhe " flores da paixão", porque habitualmente é por alturas da Páscoa que nos oferece as suas odorosas e magníficas  flores brancas, rosa, azul ou violeta.   

21 de março de 2013

Plantar cebolas na chegada da primavera

Decidimos aproveitar o espaço entre fileiras do pomar para plantar a nossa cebola de verão.
É uma área considerável que normalmente não temos dado aproveitamento para outras culturas e que nos obriga a cuidados constantes devido às infestantes.
Como habitualmente fazemos, adquirimo-la na  Povoa de Varzim, zona com muitas tradições no cultivo desta cebola branca, redonda, suave.
Por mero acaso iniciamos a plantação no primeiro dia de primavera com o testemunho de uma das ameixeiras bem floridas

26 de fevereiro de 2013

Fresa mini


 O nosso trator compacto da marca Yannmar tinha um sistema dificil de acoplar a fresa ao cardan, ou seja, depois de utilizarmos outras alfaias a recolocação era bem difícil para uma só pessoa com a consequente perda de tempo. Assim, começamos a sentir a necessidade de decidir trocar de máquina ou substituír a fresa e, porque a poupança era significativa, optamos por nova fresa mini com um sistema adaptado de segurança por parafuso fusível, com montagem fácil em diferentes tratores e de engate rápido com recurso ao 3º ponto. É a largura ideal para os trabalhos nas fileiras do pomar. Constatamos que faz um bom destorreamento e incorporação no solo dos resíduos vegetais.
Aproxima-se o tempo de semear a batata e, a par do plantio da cebola, é uma das atividades cá da Horta que nos dá mais trabalho, por essa razão é tão importante o auxilio da maquinaria.

7 de fevereiro de 2013

Cruzetas para kiwi


Hoje começamos a colocar no terreno os esteios ( cruzetas ) para as ramadas de kiwi.
 
 Depois de varios dias de hesitação quanto à forma de fazer a ramada - lutamos com o dilema de aproveitar ou não os esteios em pedra que eram da ramada da vinha americana - optamos por adquirir este tipo de esteio de duas peças em detrimento da cruzeta constituída por uma única peça por ser mais pesada, mais dificil de deslocar no terreno e exigir mais mão de obra.





Estes esteios ( tipo cruzeta ) são constituídos por duas peças: uma na vertical ( com 2,45cm ) e outra que encaixa na horizontal ( com 1,85cm)aparafusados com uma prisão de metal.

Este sistema torna o trabalho mais leve e está a ser feito por apenas duas pessoas.
 

15 de janeiro de 2013

Ramada de uva americana...

... foi cortada e vai dar lugar a kiwis. A nossa principal ramada desta qualidade de uva já estava muito decrépita, o lenho de algumas cepas apresentava danos irrecuperáveis e a produção diminuía de ano para ano. Resta-nos uma outra com cerca de trinta metros de extensão que tentaremos manter para lembrança do agradável perfume a morango que as suas uvas exalam...
O José encarregou-se das tarefas do corte, da retirada dos esteios e das bancas de ferro durante os últimos dois dias. Surpreendentemente, o nosso "mestre de lavoura" Joaquim Abílio não apareceu e imagino a reação que terá... pois apanhar bebedeiras com o vinho americano da Horta de Codeçais não acontecerá mais.

21 de dezembro de 2012

Em tempo de Natal...

... a todos os amigos e visitantes, votos de  um 2013 com muita alegria, saúde e sucesso simbolizado nesta imagem do "canastro" em tempos usado para a guarda e secagem do milho, sinal de abundância e esperança para renovadas culturas.