... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco

2 de setembro de 2012

Lesmas... elas comem tudo, elas comem tudo

São mesmo danadas, suspeitavamos que a causa da destruição da sementeira de nabos e dos estragos no feijão fossem as lesmas e confirmou-se.

O nosso "mestre de lavoura" encarregou-se de embeber uns quantos trapos de pano em cerveja e à noite colocou-os nas bordas das culturas. Na manhã seguinte lá estavam elas com dificuldade de locomoção... uma imóvel nas melancias e outra a tentar esconder-se.

- E agora para exterminar essa bicharada sem usar químicos? - Deixe cá comigo, disse ele, vamos tratar de pôr cinza, sal e enterrar copos com cerveja e se não desaparecerem vai diminuír muito a bicharada.

Bem, a cada um as suas competências.

23 de agosto de 2012

Limonete

Há amizades que nascem perfumadas. Assim mesmo, tal e qual!
Ao fim da manhã, estando a avaliar a maturação da pêra rocha no pomar, ouve-se a voz de alguém que nos chama. É o vizinho, sr. Manuel, há longos anos radicado em terras francesas e que, desde que nos instalamos aqui em Codeçais, nunca tínhamos trocado palavra.
De forma muito simples disse ser vizinho e que o desculpasse aparecer daquele modo, estava de partida para França onde está emigrado mas que tinha muito gosto em oferecer aquele pé de limonete que trazia consigo!
Depois da surpresa lá nos repetimos em agradecimentos.
Pessoa simples a quem, certamente, as agruras da vida moldou o carácter. Gostamos. Provavelmente alguém lhe terá dito do nosso interesse por plantas aromáticas e medicinais, de contrário não saberia deste nosso interesse.
Aqui está, vai para o canteiro das aromáticas e dentro de poucas semanas ( fim do verão) colheremos as folhas e depois de secas deliciar-mo-nos com o perfumado e agradável chá de limonete que entre outras coisas funciona como um calmante e relaxante natural.

15 de agosto de 2012

Courgetes...

É verão. Tempo férias e de praia...
A chuva do dia de ontem fez-nos regressar a Codeçais, pois é onde nos sentimos sempre melhor, seja qual for o estado do tempo ou época do ano.
Hoje, o sol impôs-se logo de manhãzinha e...já tudo nos parecia diferente ao fim de poucos dias de ausência.
Foi a pensar nisto mesmo que o nosso olhar se deixou prender nestas courgetes. Que têm elas de especial para além do tamanho?  Têm aquilo que a nossa imaginação quiser que tenha.
Cá por mim vou no abraço de saudades, ou será apenas sugestão?


São apenas courgetes!!!


10 de agosto de 2012

Abóboras no morangal

 Há algum tempo atrás lemos num certo blog ( um post sobre consociações de culturas),  que a consociação da cultura de abóbora com  morangos seria desfavorável.
Desconfiei de tal afirmação e registei.
Pelas fotos que anexo com abóboras porqueiras (também conhecidas por crócas), prova-se que tal coisa não passa de mais uma toléria...
Já não é  a primeira vez que nos sucede colher abóboras que nasceram em consequência da utilização da compostagem caseira e exclusiva nos morangueiros... as sementes ficam misturadas, mais ou menos incólumes e, depois germinam e desenvolvem bastante bem. Acrescento que, em 2010, as maiores e mais pesadas abóboras nasceram deste modo e tudo se conjuga para que este ano volte a suceder algo idêntico.
Vamos esperar para ver, pois para já as abóboras não semeadas estão mais desenvolvidas que as outras.

Outro aspecto interessante nesta questão: - O ensombramento provocado pelas folhas das abóboras não afetaram a produção de morango e teremos de estar atentos ao oídio que porventura possa vir a prejudicar os morangueiros

31 de julho de 2012

Flor de araçá

Chegou pequeno, bem pequeno, juntamente com outro de fruto amarelo, o enxerto de araçá vermelho vindo da  quinta de Junqueira para se juntar às restantes árvores que estavam a ser plantadas aqui na Horta de Codeçais. O lugar onde passaria a ficar não tinha sido pensado e ficou no garrafão de plástico que lhe serviu de poiso. Assim permaneceu e sofreu durante o inverno severo e só na primavera é que conheceu o lugar no pomar onde se encontra.
Desenvolveu-se bem e estes dias manifestou-se com a exuberância das suas delicadas e lindas flores e... talvez ainda  agradeça muito mais dando frutos.
A natureza é generosa.  

18 de julho de 2012

Courgete amarela

De um modo geral aqui, na Horta, não semeamos horticolas  ditos "coisa nova", porque conhecemos bem a zona onde estamos instalados e pelo facto de estarmos numa altitude considerável ,  por via de regra as experiências são condenadas ao insucesso e os hortícolas habituais também são semeados por vezes com semanas de atraso, dependendo obviamente dos fatores climatéricos.

Mas nem sempre nem nunca, como diz o povo.

Há alguns meses atrás, o Rui Esteves teve a amabilidade de enviar uma razoável quantidade de sementes, nas quais se incluíam algumas variedades de courgete, nomeadamente da cor amarela que nos suscitou interesse.
Assim, fomos no desafio e constatamos que são tão produtivas quanto outras variedades que desde sempre aqui produzimos, em particular a beauty.

 

Aqui estão, meramente a título de amostra, três das variedades que o Rui nos enviou ( amarela, verde claro e bianca ).

Para consumo cá da casa preferimos as courgetes bem desenvolvidas, têm outro sabor, mais intenso... gostos.

15 de julho de 2012

Sementes de Couve Penca da Póvoa e Couve Galega

Estava agendado o arranque da batata (Kennebeck) para o passado dia 13, sexta feira, mas a meteorologia  trocou-nos as voltas e a chuva impôs-nos o adiamento. Depois de efectuado o acerto ao plano de tarefas para a próxima semana, encontramos o nosso "mestre de lavoura", a abrigar-se da chuva sob o telheiro, aparentemente sóbrio, em animada discussão com um seu conhecido sobre qual a melhor e mais saborosa penca, vulgarmente conhecida por couve portuguesa, para plantar e colher no natal. Um dizia ser a penca de Chaves por ter os talos mais largos e mais fechada, o outro sustentava que a melhor de todas é a de Mirandela por ter as folhas mais compridas e mais clara e mais tenra, etc, etc. Cada qual com seus pontos de vista.
O certo é que com tal discussão me levaram a decidir, pela primeira vez, semear com sementes próprias dentro de algumas semanas,  a couve penca da Póvoa e a couve galega. Afinal, temos as sementes... e é simples de as retirar das pequenas vagens depois de bem secas.Se formos bem sucedidos, naturalmente passaremos a fazer as nossas próprias sementeiras.
Desde sempre foi  nossa opção a compra destas hortícolas, para plantar aqui na Horta, a produtores particulares na zona de Póvoa de Varzim  e que ainda teremos de o fazer para a penca que esperamos colher no Natal. 
A nossa opinião é diferente das manifestadas pelos dois entendidos, preferimos a penca da Póvoa, tal como a couve galega da mesma zona.
Tenham os talos mais largos, sejam mais abertas ou fechadas, de folha mais ou menos escura, creio que grande parte da população não dispensa a couve portuguesa, sobretudo, de a cozinhar com bacalhau.

10 de junho de 2012

Ovelha com a descendência

Também por isto a quietude da aldeia e...
o campo chama-nos e não nos permite longas ausências.


Não é a "dolly" nem adivinha resultados de futebol, é apenas a ovelha "bora" a mostrar a sua cria.

7 de junho de 2012

Passadeira florida p'rá procissão de Nª Sª do Desterro


Há momentos em que apetece "fugir" da pacatez da aldeia.
Nada melhor que um lugar com cheiro a mar, esse forte cheiro a maresia na memória que nos acompanha desde o nascimento... e foi isso que acabamos por fazer.

Foi no domingo passado (03/06). Uma vez lá chegados, à Póvoa de Varzim, apercebe-mo-nos ser dia de festa e de procissão de Nª Sª do Desterro, festa que conhecemos muito bem desde a nossa infância. Esta festa em honra da senhora que lhe dá o nome tem uma característica que a distingue das demais há várias dezenas de anos: nas ruas por onde passa a procissão, o pavimento é coberto por artísticas “passadeiras” - também chamadas "tapetes", de extraordinário efeito visual, inteiramente confecionadas pelos moradores de cada rua e que proporcionam a todos quantos assistem um lindo espetáculo de cor e beleza à mistura com a ingenuidade artística popular e o sentimento religioso. 

A procissão da Senhora do Desterro é o episódio bíblico que evoca Nossa Senhora com o Menino Jesus, montada num burrinho e acompanhada por S.José, em fuga para o Egito a fim de escapar à perseguição de Herodes.

 A confecção destas passadeiras é muito laboriosa e são muitas as pessoas que preparam durante a noite estas passadeiras floridas.
  
Antigamente as “passadeiras” eram feitas exclusivamente com pétalas de diferentes variedades de flores, desfolhadas para o efeito e seleccionadas pelas suas cores, as quais preenchiam o espaço da matriz dos desenhos pretendidos.

 Presentemente as "passadeiras" são confecionadas com um misto de flores e serradura – aqui designada por “serrim”- e pequenas aparas de madeira, tingidas com anilinas. 

Já vai um pouco longo este post, lá fora a chuva miudinha com o calor que está não faz prever nada de bom para os "mimos" e o melhor será consultar os avisos agrícolas da DRAPN, recentemente chegados por mail.

17 de maio de 2012

Semear milho

Ora digam lá que nos tempos que correm estas imagens não são merecedoras de figurarem em galeria dourada na net???



Pelas mais diversas razões e desde que nos instalamos aqui em Codeçais não nos tinha sido possível capturar a imagem do semear o milho com este semeador mecânico puxado pela junta de bois.
Os dois cunhados, o Costa e o Silva lá se entenderam e deitaram mãos à tarefa.


O Silva sempre à soga e o Costa deitando vozes à "ruça", o campo de milho ficou pronto.
Para meu contentamento.

7 de maio de 2012

Rio Leça

Não há fome que não traga fartura... diz o rifão. E assim está a ser no que toca à chuva que tem caído nos últimos dias e que nesta altura está a condenar ao insucesso os "mimos" ou "novidades" há pouco semeadas ou transplantadas. No nosso caso já começamos estes dias, nos intervalos dos chuveiros, a voltar a semear porque a maior parte está perdida.
Hoje, ao início da tarde voltou a brilhar o sol e foi oportunidade para consultar através da net o serviço meteorológico para a semana... e por mero acaso fomos levados para um blog sobre montanhismo (sonhando.sapo.pt) que abordava o Rio Leça. E aqui constata-se mais um disparate em que a internet é pródiga, que com boa vontade quero interpretar como "falta de cuidado" por parte de quem introduz esses dados.
Lá é mencionada a nascente do Leça na Serra da Agrela. Falso.
Com efeito ele passa lá, mas nas faldas dessa serra que por acaso pertence ao Concelho de Santo Tirso e distante da nascença uma boa dúzia de quilómetros.
                                                                                           Foto:Passagem próximo a Horta de Codeçais    

Ora, o Rio Leça passa a cerca de pouco mais de 400 metros e também nasce a pouca distância da nossa Horta de Codeçais.
Para repôr a realidade dos factos, aqui vai:
- O Rio Leça nasce no Monte Santa Luzia, Monte Córdova, no concelho de Santo Tirso a uma altitude próxima dos 420 m, percorrendo pouco mais de 44km quilómetros até à foz, no oceano Atlântico. No seu percurso passa por Refojos, Lamelas, Reguenga e Água Longa ( concelho de Santo Tirso), Alfena, Ermesinde, Maia, indo desaguar junto ao porto de Leixões, em Matosinhos.
Foto: Quedas da Fervença                                                                                      

Ora, perante isto e porque estava sol, lá fomos verificar se ainda passava no lugar habitual, aqui perto da Horta, e... sem espanto lá estava ele, com bastante água. Ainda deu tempo, no intervalo de novo chuveiro, ir até ao lindo lugar das quedas da Fervença, distante da nascente pouco mais  de 1km.
Para os mais interessados, poderão consultar a Wikipédia que apesar de conter algumas inexatidões pouco relevantes,oferece informação mais concreta e com fiabilidade.
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Le%C3%A7a
     

25 de abril de 2012

25 de Abril, valerá a pena comemorar?

Lá fora a chuva cai, cai forte, tem estado persistente e demasiada durante a manhã prejudicando as "novidades" plantadas estes dias. E dizer que ainda há poucas semanas todos ansiava-mos por um pouco de chuva.
A televisão está a emitir imagens do passado distante com 38 anos...os sonhos que então vivemos e foram tantos! Sobre o som da televisão ouve-se bater ao portão. Com este tempo, quem será? É a Rosa "galhofa" com um xaile negro pela cabeça, na tentativa de se abrigar da chuva e com um galo bem seguro debaixo do braço.

Mulher idosa, muito para cima dos 80 anos, conhecida por vender galinhas e se deslocar a pé para as feiras dos concelhos vizinhos, percorrendo distancias consideráveis com a cesta das aves  à cabeça. Foi sempre este o seu modo de vida, vender as galinhas que cria no seu quintal a  par de alguns trabalhos de lavoura que fossem surgindo.
Raramente a temos visto. O seu aspecto é cada vez mais de definhamento, sempre de negro vestida, de rosto cadavérico e muito, muito curvada, num claro denunciamento de vida áspera, difícil e ausente de conforto. Sem rodeios pergunta se lhe queremos comprar o galo, bem preso entre as mãos nodosas com artroses bem visíveis. Claro que sim, foi a nossa resposta, sem discussão de preço.E assim foi feito o negócio.
Em jeito de despedida perguntamos-lhe se precisava de alguma coisa. -Não, o que eu preciso mesmo é dos meus medicamentos e agora já tenho algum dinheiro para os comprar, enquanto espero pelo dinheirinho da reforma, disse ela.
Depois de recuperados do pasmo proporcionado pela revelação espontânea da Rosa lá conseguimos saber que a sua magra reforma não chega aos duzentos euros e grande parte são gastos em remédios... Viver num lar de idosos? -Não, menino António ( vá-se lá saber porque me trata assim, apesar da visível calvície ), não tenho dinheiro para dar.... querem dinheiro que não tenho... vamos andando enquanto Deus quer... E sem mais fez-se à chuva, talvez para a solidão da sua casita, talvez em direção da farmácia, indiferente a tudo, principalmente, ao que representa o dia de hoje, 25 de Abril que para ela não chegou nem chegará.
Quantos e quantos quadros representativos  como este do viver em Portugal se passarão em todo o país!!!
Os políticos e governantes(?) nos últimos anos têm vindo a deitar pela janela o estado social, têm vindo a matar o país e os sonhos que vivemos em 25 de Abril de 74. Valerá a pena comemorar?

20 de abril de 2012

Doce de laranja em tempo de chuva...

Abril águas mil, diz o ditado.
Os trabalhos na horta vão sendo adiados devido à chuva que tem caído desde 3ª feira, mas... ainda bem e para ocupar algum do tempo disponível e porque é tempo de abundância de laranja fizemos doce com esta deliciosa fruta.
Para os mais interessados, aqui vai a receita:
- 1 kg laranja ; 2 kg de açúcar ( pode-se reduzir 10% a 15 % para quem não gostar demasiado doce); sumo de 1/2 limão médio;1,5 l de água.
Cortar a laranja em fatias muito finas em formato meia lua, deite juntamente com a água na panela que vai ao lume e deixar a macerar de um dia para o outro; levar a lume brando cerca de 1hora para amaciar as cascas; depois, junte o açúcar e o sumo de limão e deixe  continuar a ferver em lume brando cerca de 1,5h para ganhar consistência , tendo o cuidado de ir verificando até atingir a espessura desejada.
Depois de amornar um pouco, proceder ao envasamento e para não ganhar bolor não esquecer do procedimento da esterilização e pasteurização para aguentar longos meses.
Não sei a origem desta receita mas é uma doçura... pronta para adocicar os nossos dias.


6 de abril de 2012

Sementeiras em canudos

Estes são alguns dos resultados.
São visíveis os rebentos de abóbora porqueira, abóbora menina, abobrinha e courgete bianca da Sicilia. Não são apenas estes os recipientes onde fizemos ou estamos ainda a fazer por fases as sementeiras de verão de maneira a que as germinações ocorram espaçadas das diferentes variedades de pimento, de tomate, de courgete, de melão e melancia, pepinos, alface e tudo o mais. Devo referir que pela primeira vez iremos semear variedades que nos foram enviadas pelo amigo Rui Esteves.

Em anterior post falamos apenas na reutilização dos canudos, mas na verdade deitamos mão a tudo que sirva para o efeito. Aqui na foto estão algumas embalagens de sumos, mas costumamos também utilizar os copos de café, embalagens de natas, embalagens de ovos ( unicamente para as alfaces ), etc. Claro que a quantidade e disponibilidade para estes recipientes é menor, como facilmente se compreenderá.
A par de tudo isto também fazemos sementeiras na horta, em local definitivo. Estas sementeiras, são ao jeito de reforço porque  diretamente na terra... surgem muitas surpresas.

1 de abril de 2012

Chuva nas previsões do IM...

... ou será que se tratou de brincadeira do dia 1 de abril?
Isto vem a propósito de o IM ter anunciado no início da semana para esta região a tão desejada e necessária chuva  para ontem, sábado, e hoje domingo... mas de chuva apenas ficou o desejo.
Em dia de enganos continuou o calor e o sol.
Apesar de todos sabermos que se trata apenas de previsões, o facto é que, apesar dos avanços tecnológicos, o IM ultimamente não acerta nas previsões que anuncia para esta região!!!
Mais acertiva tem sido a previsão no site da Syngenta .Mais comentários? Não. 

Esta foto é apenas a saudade do dia 29 de março de 2011.

15 de março de 2012

É tempo de plantar a cebola

Acabada a sementeira da batata o trabalho na horta não pára, desta vez com a plantação da cebola.
Foi isso que fizemos hoje com a plantação de algumas talhas de cebola branca da Póvoa que depois de plantada e, com o calor que faz, foi necessário regar bem a terra.
A chuva está anunciada para amanhã e oxalá tal aconteça para um melhor pegamento.