... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco

4 de março de 2011

Plantar morangos...

... em dia com nuvens e pouco sol.
Parece ser esta a recomendação dos entendidos no assunto, que não é o nosso caso. Há dias atrás compramos alguns atados de morangos remontantes de raíz nua e porque as previsões meteorológicas assim o indicavam esperamos  e escolhemos este dia para plantar os morangos.
Enquanto se procedia à preparação dos camalhões, procedeu-se ao corte das raízes mais compridas por forma a serem plantados os pés sem dobrar as raízes, funcionando assim, entre outras razões, também como que uma pequena desinfeção de microorganismos parasitas.
Em função dos camalhões, plantamos 12 plantas/m2 e utilizamos como estrumação a compostagem caseira.
Para minimizar os problemas com as ervas daninhas utilizamos a vulgar manga de plástico.
Agora vamos esperar pelos resultados a partir de Maio até ao Verão.
Temos um problema,  ou talvez não, ignoramos a variedade apenas porque nos esquecemos de perguntar.

28 de fevereiro de 2011

Obras, obras e mais obras....

... com os tranqueiros em destaque.
Já lá vão os dias de chuva e nestes últimos dias o tempo tem corrido de feição para as obras que continuam aqui pela "Horta". Está tudo num rebuliço tremendo e já quase não identificamos a atualidade com quase tudo o que encontramos quando cá chegamos em setembro passado.
Neste momento a desordem causada pelas obras é mais visível na  Leira das  Pedras devido à construção dos pilares para o portão de acesso e à vala para a colocação dos cabos da electricidade e tubagens diversas.
Bem, o objectivo deste post não é propriamente falar das obras mas, isso sim, dos tranqueiros. Que é isso?  Nesta região chama-se tranqueiros aos pilares que servem de sustentação aos portões maiores ou principais das casas agrícolas. 
Consultando o dicionário, verificamos que o termo tranqueiro traduz outra coisa completamente diferente. A  resposta está na Etnografia e na riqueza da sabedoria popular, ou seja, os tranqueiros servem para segurar as trancas das portas. Certo, nem mais.
A diferença é que já não se usam trancas nas portas. Esses tempos já lá vão, todo o cuidado e cautela nunca é demais.

20 de fevereiro de 2011

Camélias em exposição

Soubemos ontem que estava patente a IX Exposição de Camélias, no Museu Abade Pedrosa, em Santo Tirso. Ao fim da manhã de hoje, domingo, deslocamo-nos até ao local do evento e sofremos uma grande desilusão pois encontrava-se encerrado da parte de manhã. Aliás não fomos os únicos, pois encontramos um grupo de 5 cidadãos espanhóis oriundos de Villa Garcia de Arousa que se deslocaram para admirar as variedades e a beleza destas flores de inverno.
Soubemos posteriormente que o horário era das 14 às 18 horas, ontem e hoje. Despertou-nos a curiosidade um artístico conjunto de arranjos florais dispostos na entrada do local a chamar a atenção de tal exposição.
Curto ou suficiente este horário ao público? Escusamo-nos de comentar, até porque já fizemos parte da organização em algumas exposições anteriores, nomeadamente em 1995 ( I Exposição), 1997 (II Exposição) e 2003 (V Exposição) devido às funções desempenhadas em colectividades filatélicas  e de coleccionismo que organizaram essas exposições, sendo produzidos carimbos filatélicos comemorativos alusivos a tais eventos e que reproduzimos um desses carimbos.
Apreciamos muito as camélias e estamos aos poucos a reunir algumas variedades para as instalar aqui na "Horta". Alguns exemplares envasados que trouxemos do " Cordão da Granja " - e que para lá tínhamos levado em 2010- estão a aguardar a decisão quanto ao local para serem plantados. São produto de enxertias das existentes no Mosteiro de S. Bento, variedades antigas de camélias portuguesas e de camélias híbridas ( 3 exemplares ) obtidas por semente.
A propósito e não sendo nenhum especialista mas apenas um admirador desta magnifica flor, não deixo de dar à estampa o que vem escrito nos books: -" Reprodução: Só se semeia a camélia na esperança de obter variedades novas, o que muitas vezes se consegue. A estaca, o mergulho e a enxertia são os meios de propagação mais usados (...) não criando todavia raízes senão ao fim de dois anos.


7 de fevereiro de 2011

Semear batata

Já vai sendo tempo de semear a batata.
Já? - parece-me estar a ouvir.
Sim, o tempo tem estado de feição, apesar do calor durante o dia, embora as temperaturas nocturnas aconselhem alguma contenção, por fazer bastante frio.
Seja como for e seja o que for que venha a acontecer já procedemos hoje  à sementeira de parte da área destinada a este cultivo.
O Paulo no trator procedeu à preparação do terreno para a batata da variedade Kennebec, importada da Dinamarca que adquirimos na Cooperativa dos Agricultores de Santo Tirso.
A variedade Desirée será semeada lá por Março adiante...
 Claro que o desconcertante Joaquim Abílio - em estado sóbrio, coisa pouco habitual nele - lá foi avisando: - " batata semeada no cedo, é de ter medo". Aqui está toda a força da etnografia com os seus ditados!!!

Seja como for, é normal nesta região proceder-se ao plantio cedo da batata. E é esta a razão de ser deste post, ou seja, transmitir um pouco da experiência. Se porventura ocorrer geada no abrolhamento da batata queimando-o, deve-se recobrir a batata com terra por forma a que volte a rebentar de novo.

Kennebec: variedade semi–precoce de pele branca e polpa branca, com forma oval, oblonga. Produções altas, boa para armazenamento e pode ser utilizada em culinária de todas as formas. 

21 de janeiro de 2011

A tristeza de decepar... uma cepa

Não, não foi apenas uma, foram várias, mas era inevitável. Mas que causou tristeza e custou imenso fazê-lo, lá isso custou, acreditem.

A chuva ausentou-se estes dias destas paragens e há que aproveitar para tratar da vinha.
Em Setembro passado já tinhamos feito a estimativa das cepas de vinho "americano" a abater.
Uma quantidade apreciavel estava em estado deplorável, de décadas ao Deus-dará e muito velhas, para além de mal situadas na extrema de um combro que nos dificultava bastante....

Esta selecção e abate vai permitir-nos tratar de erguer e substituír alguns esteios derreados ou partidos bem como a substituição de alguma aramagem por estar apodrecida.



A maior dificuldade está em arranjar pessoal
experiente neste tipo de trabalho, caso contrário
teremos de nos tornar especialistas à força, e
quanto antes, enquanto as vides não começam
a "puxar" como por aqui se diz, ou seja, enquanto
está em repouso vegetativo. Aliás, a poda também
não pode esperar mais tempo.

14 de janeiro de 2011

Matar saudades... pelo Natal (2)

Já devia ter publicado este post mas... as coisas são como são e o assunto não perde actualidade.
Quando na véspera de Natal fomos matar saudades ao Cordão da Granja ( assunto que abordamos no anterior post ) e porque se tratava da úiltima visita trouxemos também algumas plantas envasadas e sementes diversas.

 É o caso das sementes de Louro.
Vamos deitar à terra a partir de Fevereiro, deixar que germinem e esperar que os resultados sejam bons. O loureiro forma excelentes sebes e é muito útil até para afastar os mosquitos. Seria fácil trazer alguns pés jovens e plantar aqui em Codeçais mas acontece que o loureiro não gosta de ser transplantado - falamos por experiencia -, preferindo desenvolver-se na terra onde germinou.

Loureiro: planta subarbórea, com folhas odoríferas utilizadas como condimento, com pequenas bagas empregadas em medicina e na indústria, pertencente à fam. das Lauráceas, cultivada e  espontânea em Portugal; também denominada loiro, louro e sempre-verde, em algumas regiões.

4 de janeiro de 2011

Matar saudades... pelo Natal (1)

Na véspera  de Natal  fomos a Mentrestido, concelho de Cerveira, visitar as pessoas de quem nos afastamos desde Setembro e com quem lidamos durante anos, que nos foram muito úteis a tratar da propriedade do Cordão da Granja e que muito nos ajudaram a respeitar, a compreender e a amar a terra mãe na sua fecundidade quando verdadeiramente respeitada.
As saudades da srª Maria da Granja ( vai na bonita e rija idade de 87 anos) eram muitas e gostamos muito de a voltar a ver. Falamos de tudo e até do Manel "Galaró", do Zé da "Clara", da Cândida "Calçada", do Manel "Costinha" e tantos outros... um desfiar de lembranças. O tempo correu depressa.

Enquanto carregavamos algumas abóboras,em jeito de despedida a  Srª Maria da Granja presenteou-nos com ovos do seu galinheiro ainda quentes e sujos. E... como não podia deixar de ser, um conselho: -"deve-se guardar as pívedas das abóboras com mais verrugas". 

Nas aldeias desta região, trabalhar a horta, a recolha das sementes e sua conservação para a sementeira seguinte é uma tarefa habitualmente realizada pelas mulheres. Vem daí o saber pela experiencia, não duvidamos.


Logo que acabamos de regressar tratamos de fazer doce de abóbora. A receita é vulgar, deixando cozer em lume brando mais de três horas. Enchemos alguns frascos com doce misturado com nozes e amendoas e outros simples, sem frutos secos.
Mais umas doçuras a juntar a outras na mesa de Natal.

22 de dezembro de 2010

O Natal está aí...

A todos os visitantes e amigos deixo a serenidade das velas natalícias e o desejo de novas alegrias no novo ano que já espreita...

Original de A. Assunção - Aguarela s/ cartão
                      Feliz Natal

16 de dezembro de 2010

Olhar as vacas...

...enquanto pastam e aproveitar o sol do meio-dia para aquecer um bocadito.

O dia está muito frio trazido por um vento difícil de suportar aqui em Codeçais, no alto de Monte Córdova.

Indiferente aos trabalhos e obras de vedação da nossa "horta" a decorrerem mesmo ao seu lado, em que pensará a  Rosa Maria? 

12 de dezembro de 2010

Araçás no pomar

Há umas semanas atrás a Lurdes trouxe-nos da sua quinta de Junqueira ( Vila do Conde) estes dois araçás para plantarmos aqui na horta. Ainda não está escolhido o sítio onde vão ser plantados. Mais para a frente, por alturas da primavera se verá onde vão ficar.
O fruto maduro do araçá tem um sabor  entre a goiaba e o ananás e são um pouco como os dióspiros, têm que ser comidos bem madurinhos.
Conhecia-o por araçã mas parece que a designação mais comum é araçá. Seja ou não... tanto faz.
Nos Açores dizem araçais ou araçaleiros.
A folha do araçá branco é boa, em infusão, para a diarreia.

6 de dezembro de 2010

Costumes... Superstições?

Monte Córdova, no conjunto das suas aldeias, foi sempre considerada terra de tradições,  de usos e costumes e até de práticas supersticiosas ( não é mero acaso que Camilo C. Branco deu à estampa o título " A Bruxa de Monte Córdova").
Estamos no dealbar do século XXI, das tecnologias e da globalidade da internet, mas no que respeita a certas práticas a tradição ou superstição, ou até o que resta dela ainda tem alguma força. A fronteira é muito ténue e quer uma quer outra ainda existe por estas bandas.
De repente assaltou-me a ideia que as dificuldades financeiras dos tempos actuais obrigam as pessoas a repensarem e a recuar... no tempo. Quem sabe dizer?
Tratemos do caso em concreto: - aqui na "horta" o Joaquim, nos dias em que os efeitos do álcool lhe permitem alguma lucidez, tem dado uma ajuda valiosa em certos trabalhos, e, num destes dias mostrou-me uma erupção na pele, na zona do pescoço, razão porque  a ajuda que me vinha prometendo em levantar alguns dos esteios caídos da vinha teria de ficar para outra ocasião. 
Pareceu-me carecer de tratamento médico mas foi lesto em afirmar que o que precisava era de "talhar o bicho".
Ora aqui está um exemplo concreto, das dúvidas com que comecei este post.
No caso presente preferimos atribuír importancia à tradição da medicina popular, quase sempre confundida como uma prática supersticiosa... pela gente culta(?!)
Então de que se trata o talhar o bicho? Pouca gente o saberá e por isso ... aqui vai:

A criança ou pessoa senta-se num banco ou cadeira. A ensalmista faz o sinal da cruz,
acende um fósforo e diz:
                        - Eu te talho,
bicho, bichão,
sapo, sapão,
aranha, aranhão,
largato(5) largatão,
saramela, saramelão,
ou bicho de qualquer nação,
Que seja comparante a este carvão.
Em louvor de S. Selivreste
se confiar preste.
Nosso Senhor Jesus Cristo
Seja o verdadeiro mestre.
Repete nove vezes, utilizando em cada vez um fósforo a arder e riscando cruzes na parte doente. Termina com o sinal da cruz."
Os costumes e tradições de Monte Córdova, são tratados neste blog, com o respeito que o assunto deverá merecer de todos nós.
Ver mais sobre Medicina Popular neste Blog em : Páginas/Olhando/Medicina Popular em Monte Córdova

29 de novembro de 2010

Cebola para remédio dos males...

O tempo frio acompanhado de vento forte e com o sol que esteve este fim de semana - é tão agradável na hora - fizeram o resto:  estou afónico.
Aqui, em Monte Córdova,  é terra com profundos e arreigadas tradições desde as danças e cantares, passando por lendas, usos e costumes, também tem ensalmos para quase todos os males a serem ditos por quem os sabe e também procuram nas plantas a cura para muitos desses males.
A prova aqui está: acordei de manhã completamente afónico. Ora nada melhor que pôr em prática a experiência , o saber feito de outros que faz juz aos usos e costumes desta terra.
O remédio é o seguinte: - descascar algumas cebolas e utilizar as cascas. Leva-se a lume numa caneca com água, deixando ferver e depois de arrefacer gargarejar quanto baste. Ao fim de poucas horas a garganta vai clareando e as melhoras são certas.
Ainda em jeito de complemento sobre usos e costumes desta terra, era usada a Cebola ( Allium Cepa Lin.),  quando uma criança nascia com pouca vida  espremia-se-lhe cebola na boca.

25 de novembro de 2010

Esperar que passe a chuva e...

... plantar na horta o que ainda está dentro da época.
Depois de tantos dias de chuva, finalmente o sol deu um ar de graça. Por ser dia de feira em Santo Tirso fomos lá comprar cebolo de dias curtos ( inverno), embora sem grandes opções de escolha quanto ao calibre a plantar, trouxemos duas talhas a 4,50 euros cada ( uma talha tem perto de uma centena de pés).


A terra está pesada  - como se pode ver na foto - mas como o tempo permanece incerto optamos por não adiar mais a plantação do cebolo; o que nos aparece na imagem é cerca de metade do que compramos;assim, tudo o que tinhamos planeado meter à terra para este início de Inverno está concluído com  alhos, favas, ervilhas, alfaces, couve-nabiça, couve galega e tronchuda.

Tudo foi deitado à terra, semeado ou plantado sem o recurso a fertilizantes químicos.
Agora resta esperar... para colher. A ver vamos o que nos reserva a lavoura biológica.

23 de novembro de 2010

Pomar... tudo pronto

...para a plantação das fruteiras.
Hesitamos quanto ao modo e sistema da instalação do pomar. As alternativas eram todas viáveis, mas optamos por rejeitar aquelas que na instalação se tornariam mais dispendiosas, como o caso do sistema espaldeira, tatura, palmeta ou cruzeta, bardo, etc, etc, fomos para o tradicional, em eixo ou piramide. Claro que este modo tem a desvantagem de ocupar mais espaço.
Entretanto fizemos a visita aos viveiros "Juca da Costa" para fazer a primeira encomenda, para um conjunto de 40 árvores, com predominância para as macieiras e pereiras e uma pequena quantidade de outras espécies de fruteiras.

No dia combinado foi feita a entrega: macieiras nas qualidades Golden delicious, Fuji, Royal Gala, J.Richared, Granny Smith, Pero de Alcobaça e Porta da Loja. Pereiras nas variedades Rocha, Beurré Hardy, Morettini Prec., Nashi, e Vitória; ameixieiras Fortuna (vermelha), Temporã (vermelha) e Blek (preta com polpa vermelha); as cerejeiras em variedades Bical e Bigarreau; para além de dióspireiros e damasqueiros, com 2 unidades cada.
Os citrinos e outras espécies ficam para mais tarde.

22 de novembro de 2010

Futuro pomar

Sem pressas, estamos a delinear os espaços para a horta, para o pomar e  para os viveiros.

A Leira de Baixo afigura-se-nos mais ajeitada para o pomar, que nos permitirá criar várias linhas de plantação, em todo o comprimento, no entanto é mais ventosa, especialmente exposta aos ventos de NW... a decisão recaíu assim mesmo e assim vai ser.

Por outro lado é a opção que nos permitirá encurtar custos com o sistema de rega, na medida em que o furo artesiano está também localizado nesta leira...


Daqui, de Codeçais, avistamos paisagens em redor que nos suscitam cogitações de tranquilidade, até porque estamos quase, quase no ponto mais alto de Monte Córdova.  

21 de novembro de 2010

O visual é outro...

Depois de algumas horas de limpesa o visual é já outro, mas o trabalho vai continuar. São vários os esteios pelo chão que é necessário erguer e aramar.

Algumas cepas terão de ser sacrificadas por estarem demasiado velhas ou danificadas pelo derrube dos esteios que as arrastaram tornando impossível repô-las convenientemente.

A Leira de Cima também já está um pouco mais limpa mas é necessário gradar e fresar com o tractor por forma a amaciar o trabalho de plantações futuras.

Os trabalhos continuaram pela tarde fora. Estamos em tempo que se faz tarde sendo cedo, a noite cai depressa. O vento aqui no alto de Monte Córdova é frio... já apetece ir rapidamente para o calor da lareira e retemperar forças e coragem para o trabalho que nos espera nos próximos dias.
É. É esta paixão pela terra que nos move!