... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco

21 de novembro de 2010

O visual é outro...

Depois de algumas horas de limpesa o visual é já outro, mas o trabalho vai continuar. São vários os esteios pelo chão que é necessário erguer e aramar.

Algumas cepas terão de ser sacrificadas por estarem demasiado velhas ou danificadas pelo derrube dos esteios que as arrastaram tornando impossível repô-las convenientemente.

A Leira de Cima também já está um pouco mais limpa mas é necessário gradar e fresar com o tractor por forma a amaciar o trabalho de plantações futuras.

Os trabalhos continuaram pela tarde fora. Estamos em tempo que se faz tarde sendo cedo, a noite cai depressa. O vento aqui no alto de Monte Córdova é frio... já apetece ir rapidamente para o calor da lareira e retemperar forças e coragem para o trabalho que nos espera nos próximos dias.
É. É esta paixão pela terra que nos move!

19 de novembro de 2010

Postes da PT, hoje... como nos primórdios

...E não pagam nada.
Tempos houve em que a necessidade de comunicar telefonicamente exigia a colocação de postes para sustentação dessas linhas, mas hoje... hoje estão obsoletos por desnecessários mas continuam a existir apenas porque a PT ( entenda-se a sua administração ) quer continuar a manter os lucros fabulosos que são do conhecimento publico; logo, se tratassem de remover estes postes que existem por todo o país elevariam os custos de exploração, etc,etc,etc.
É um abuso!  E não pagam nada aos proprietários dos terrenos onde instalaram os postes ao abrigo de uma lei caduca salazarista que qualificava como de utilidade publica a sua existencia. Pasme-se! Hoje, com os telefones móveis e internet não justifica a sua existencia nos sítios mais inverosímeis, dificultando acessos, numa palavra: um estorvo.
Esta foto é uma amostra.
Era já fim de dia e após alguma limpesa nos acessos aos terrenos constata-se que este poste e a espia que o sustém é, de facto, um estorvo.
Já seguiu carta  à PT,com o pedido de remoção para local mais conveniente, vamos lá ver o tempo de demora quer para a  resposta quer... para a remoção.

18 de novembro de 2010

Parece querer ajudar

Com tanto trabalho pela frente, estamos bem precisados de ajuda.
E parece ser especialista em certos trabalhos, será?
Pelo menos é o que parece com esta Louva-a-deus que parece estar no firme propósito de agarrar a pá e trabalhar(?!)

Mas, afinal, não veio só, pois está outra muito perto e parece querer também ajudar.
Há diferença na cor, porque será?
Pois, a ser verdade, lá diz o ditado: -"onde todos ajudam... não custa nada."
O que diz o dicionário: - "Louva-a-deus, insecto ortóptero, carnívoro, marchador, da fam. dos Mantideos, de corpo estreito e comprido, cujas patas anteriores se dobram e levantam, lembrando a posição de orar." Dic.Editora 6ª edição.

Afinal... a ajuda é outra! Pelo menos que ajudem "orando" para que na Horta tudo decorra bem .

Ainda o trabalho... a vindima

Ainda viemos a tempo de fazer a vindima em Codeçais. Apesar do estado em que a vinha se encontrava ( ver último post) a produção foi considerável. No dizer do Joaquim Abílio (falaremos mais tarde desta figura), este foi um dos anos mais produtivos.
Pelo cheirinho  está identificada. Uva de vinho de cor escura e sabor frutado  lembra o aroma de morango.
É uva "americana" a tal que fazia e ainda vai fazendo fartura nos pipos do pequeno lavrador nas terras do vinho verde. A trote dos tempos que correm e de certos interesses, as suas cepas foram cortadas, destruídas, queimadas... foi quase banida, mas ainda bordejam leiras em terras de Monte Córdova e não só...
Em Portugal a comercialização da zurrapa do vinho americano, também conhecido por morangueiro é proibida desde há algumas décadas, embora fosse amplamente tolerada. A União Europeia, a instâncias dos Estados membros produtores de vinho, proíbe a comercialização no espaço comunitário desde 1995.

(nota: estamos a tentar organizar  temporalmente o Blog em função do que temos feito  desde que nos instalamos, em Setembro ) 

16 de novembro de 2010

Trabalho, bastante trabalho pela frente

Foi em Setembro quando nos decidimos instalar aqui em Monte Córdova - localidade associada ao célebre romance de Camilo Castelo Branco, A Bruxa de Monte Córdova   e, embora não esteja lá referenciada, pela descrição do trajecto não deixa grande margem para dúvida que foi aqui, na aldeia de Codeçais, que Angélica foi deixada pelos almocreves e encontrada pelos lavradores (?!),  assunto ao qual voltaremos mais tarde  -, sabíamos que nos esperava bastante trabalho.

O que mais nos impressionou foi o deplorável estado da vinha, com os esteios de sustentação da ramada pelo chão, a aramagem na sua maior  parte rebentada  mas mesmo assim sem deixar de produzir, muros derreados, a terra sedenta e sequiosa, dura, pedinte por um arado ou sachola para se tornar produtiva.
O António Pedro ajudou na limpesa do terreno e no desbaste das videiras, mas as cepas lá continuam e tarde ou cedo terão de ser sacrificadas pois são muito velhas; o primo do Anselmo com o tractor tratou de arrumar os esteios derreados, cavou e fresou o campo da Leira do Poço Grande onde ficará situado o pomar e dentro de semanas, no tempo certo, será instalado.
Com toda esta azáfama as fotos ficaram por tirar...  não fosse um pequeno intervalo para matar a sede e nem estas fotos existiriam.