... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco

18 de novembro de 2010

Parece querer ajudar

Com tanto trabalho pela frente, estamos bem precisados de ajuda.
E parece ser especialista em certos trabalhos, será?
Pelo menos é o que parece com esta Louva-a-deus que parece estar no firme propósito de agarrar a pá e trabalhar(?!)

Mas, afinal, não veio só, pois está outra muito perto e parece querer também ajudar.
Há diferença na cor, porque será?
Pois, a ser verdade, lá diz o ditado: -"onde todos ajudam... não custa nada."
O que diz o dicionário: - "Louva-a-deus, insecto ortóptero, carnívoro, marchador, da fam. dos Mantideos, de corpo estreito e comprido, cujas patas anteriores se dobram e levantam, lembrando a posição de orar." Dic.Editora 6ª edição.

Afinal... a ajuda é outra! Pelo menos que ajudem "orando" para que na Horta tudo decorra bem .

Ainda o trabalho... a vindima

Ainda viemos a tempo de fazer a vindima em Codeçais. Apesar do estado em que a vinha se encontrava ( ver último post) a produção foi considerável. No dizer do Joaquim Abílio (falaremos mais tarde desta figura), este foi um dos anos mais produtivos.
Pelo cheirinho  está identificada. Uva de vinho de cor escura e sabor frutado  lembra o aroma de morango.
É uva "americana" a tal que fazia e ainda vai fazendo fartura nos pipos do pequeno lavrador nas terras do vinho verde. A trote dos tempos que correm e de certos interesses, as suas cepas foram cortadas, destruídas, queimadas... foi quase banida, mas ainda bordejam leiras em terras de Monte Córdova e não só...
Em Portugal a comercialização da zurrapa do vinho americano, também conhecido por morangueiro é proibida desde há algumas décadas, embora fosse amplamente tolerada. A União Europeia, a instâncias dos Estados membros produtores de vinho, proíbe a comercialização no espaço comunitário desde 1995.

(nota: estamos a tentar organizar  temporalmente o Blog em função do que temos feito  desde que nos instalamos, em Setembro ) 

16 de novembro de 2010

Trabalho, bastante trabalho pela frente

Foi em Setembro quando nos decidimos instalar aqui em Monte Córdova - localidade associada ao célebre romance de Camilo Castelo Branco, A Bruxa de Monte Córdova   e, embora não esteja lá referenciada, pela descrição do trajecto não deixa grande margem para dúvida que foi aqui, na aldeia de Codeçais, que Angélica foi deixada pelos almocreves e encontrada pelos lavradores (?!),  assunto ao qual voltaremos mais tarde  -, sabíamos que nos esperava bastante trabalho.

O que mais nos impressionou foi o deplorável estado da vinha, com os esteios de sustentação da ramada pelo chão, a aramagem na sua maior  parte rebentada  mas mesmo assim sem deixar de produzir, muros derreados, a terra sedenta e sequiosa, dura, pedinte por um arado ou sachola para se tornar produtiva.
O António Pedro ajudou na limpesa do terreno e no desbaste das videiras, mas as cepas lá continuam e tarde ou cedo terão de ser sacrificadas pois são muito velhas; o primo do Anselmo com o tractor tratou de arrumar os esteios derreados, cavou e fresou o campo da Leira do Poço Grande onde ficará situado o pomar e dentro de semanas, no tempo certo, será instalado.
Com toda esta azáfama as fotos ficaram por tirar...  não fosse um pequeno intervalo para matar a sede e nem estas fotos existiriam.