... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco
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27 de maio de 2014

Cebola



Arrancamos a  cebola de inverno ( também conhecida por cebola de dias curtos), plantada nos primeiros dias de Novembro, deixada alguns dias ao sol  para encascar e secar. Ao contrário da cebola de verão,  habitualmente colhemos  com a rama ainda verde,  antes de ocorrer o  espigamento.

São inúmeras as utilizações culinárias  como também as propriedades terapêuticas da cebola.

Monte Córdova  é terra com profundas e arreigadas tradições desde as danças e cantares, passando por lendas, usos e costumes,  ensalmos para quase todos os males a serem ditos por quem os sabe e também procuram nas plantas a cura para muitos desses males. É disso exemplo o  antigo costume de, quando uma criança nascia com pouca vida, espremia-se-lhe cebola na boca.

6 de dezembro de 2010

Costumes... Superstições?

Monte Córdova, no conjunto das suas aldeias, foi sempre considerada terra de tradições,  de usos e costumes e até de práticas supersticiosas ( não é mero acaso que Camilo C. Branco deu à estampa o título " A Bruxa de Monte Córdova").
Estamos no dealbar do século XXI, das tecnologias e da globalidade da internet, mas no que respeita a certas práticas a tradição ou superstição, ou até o que resta dela ainda tem alguma força. A fronteira é muito ténue e quer uma quer outra ainda existe por estas bandas.
De repente assaltou-me a ideia que as dificuldades financeiras dos tempos actuais obrigam as pessoas a repensarem e a recuar... no tempo. Quem sabe dizer?
Tratemos do caso em concreto: - aqui na "horta" o Joaquim, nos dias em que os efeitos do álcool lhe permitem alguma lucidez, tem dado uma ajuda valiosa em certos trabalhos, e, num destes dias mostrou-me uma erupção na pele, na zona do pescoço, razão porque  a ajuda que me vinha prometendo em levantar alguns dos esteios caídos da vinha teria de ficar para outra ocasião. 
Pareceu-me carecer de tratamento médico mas foi lesto em afirmar que o que precisava era de "talhar o bicho".
Ora aqui está um exemplo concreto, das dúvidas com que comecei este post.
No caso presente preferimos atribuír importancia à tradição da medicina popular, quase sempre confundida como uma prática supersticiosa... pela gente culta(?!)
Então de que se trata o talhar o bicho? Pouca gente o saberá e por isso ... aqui vai:

A criança ou pessoa senta-se num banco ou cadeira. A ensalmista faz o sinal da cruz,
acende um fósforo e diz:
                        - Eu te talho,
bicho, bichão,
sapo, sapão,
aranha, aranhão,
largato(5) largatão,
saramela, saramelão,
ou bicho de qualquer nação,
Que seja comparante a este carvão.
Em louvor de S. Selivreste
se confiar preste.
Nosso Senhor Jesus Cristo
Seja o verdadeiro mestre.
Repete nove vezes, utilizando em cada vez um fósforo a arder e riscando cruzes na parte doente. Termina com o sinal da cruz."
Os costumes e tradições de Monte Córdova, são tratados neste blog, com o respeito que o assunto deverá merecer de todos nós.
Ver mais sobre Medicina Popular neste Blog em : Páginas/Olhando/Medicina Popular em Monte Córdova

29 de novembro de 2010

Cebola para remédio dos males...

O tempo frio acompanhado de vento forte e com o sol que esteve este fim de semana - é tão agradável na hora - fizeram o resto:  estou afónico.
Aqui, em Monte Córdova,  é terra com profundos e arreigadas tradições desde as danças e cantares, passando por lendas, usos e costumes, também tem ensalmos para quase todos os males a serem ditos por quem os sabe e também procuram nas plantas a cura para muitos desses males.
A prova aqui está: acordei de manhã completamente afónico. Ora nada melhor que pôr em prática a experiência , o saber feito de outros que faz juz aos usos e costumes desta terra.
O remédio é o seguinte: - descascar algumas cebolas e utilizar as cascas. Leva-se a lume numa caneca com água, deixando ferver e depois de arrefacer gargarejar quanto baste. Ao fim de poucas horas a garganta vai clareando e as melhoras são certas.
Ainda em jeito de complemento sobre usos e costumes desta terra, era usada a Cebola ( Allium Cepa Lin.),  quando uma criança nascia com pouca vida  espremia-se-lhe cebola na boca.