... e deixaram-na entregue aos lavradores da primeira aldeia que toparam. A aldeia demorava às abas do Monte Córdova, serra que se empina e ondeia com as fragosissimas encostas até à vila de Santo Tirso.
In A Bruxa de Monte Córdova, pp 178-Camilo Castelo Branco
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7 de maio de 2012

Rio Leça

Não há fome que não traga fartura... diz o rifão. E assim está a ser no que toca à chuva que tem caído nos últimos dias e que nesta altura está a condenar ao insucesso os "mimos" ou "novidades" há pouco semeadas ou transplantadas. No nosso caso já começamos estes dias, nos intervalos dos chuveiros, a voltar a semear porque a maior parte está perdida.
Hoje, ao início da tarde voltou a brilhar o sol e foi oportunidade para consultar através da net o serviço meteorológico para a semana... e por mero acaso fomos levados para um blog sobre montanhismo (sonhando.sapo.pt) que abordava o Rio Leça. E aqui constata-se mais um disparate em que a internet é pródiga, que com boa vontade quero interpretar como "falta de cuidado" por parte de quem introduz esses dados.
Lá é mencionada a nascente do Leça na Serra da Agrela. Falso.
Com efeito ele passa lá, mas nas faldas dessa serra que por acaso pertence ao Concelho de Santo Tirso e distante da nascença uma boa dúzia de quilómetros.
                                                                                           Foto:Passagem próximo a Horta de Codeçais    

Ora, o Rio Leça passa a cerca de pouco mais de 400 metros e também nasce a pouca distância da nossa Horta de Codeçais.
Para repôr a realidade dos factos, aqui vai:
- O Rio Leça nasce no Monte Santa Luzia, Monte Córdova, no concelho de Santo Tirso a uma altitude próxima dos 420 m, percorrendo pouco mais de 44km quilómetros até à foz, no oceano Atlântico. No seu percurso passa por Refojos, Lamelas, Reguenga e Água Longa ( concelho de Santo Tirso), Alfena, Ermesinde, Maia, indo desaguar junto ao porto de Leixões, em Matosinhos.
Foto: Quedas da Fervença                                                                                      

Ora, perante isto e porque estava sol, lá fomos verificar se ainda passava no lugar habitual, aqui perto da Horta, e... sem espanto lá estava ele, com bastante água. Ainda deu tempo, no intervalo de novo chuveiro, ir até ao lindo lugar das quedas da Fervença, distante da nascente pouco mais  de 1km.
Para os mais interessados, poderão consultar a Wikipédia que apesar de conter algumas inexatidões pouco relevantes,oferece informação mais concreta e com fiabilidade.
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Le%C3%A7a
     

16 de abril de 2011

Domingo de ramos e o pé de couve em flor

Domingo de ramos, dia em que os afilhados levam o ramo aos padrinhos para lembrar o folar... que a Páscoa já vem perto.
Mas há um outro " ramo ", o pé de couve em flor que em tempos era usual oferecer, neste dia, às moças solteiras descomprometidas; mas não só a elas, também por brincadeira às tias solteironas.
Esta tradição do ramo do pé de couve, cá em Monte Córdova e aldeias ao redor conta-se de forma breve.

A primeira condição: - arranjar um pé de couve em flor e quanto maior melhor. Depois, os rapazes interessados em " meter conversa " com determinada moçoila aproveitavam esta oportunidade para neste dia lhes entregar - pôr o ramo - em mão, no fim da missa ; nos casos em que tal não era possível porque muitas vezes elas estavam acompanhadas dos pais, prazenteiramente eles colocavam-nos ao portão da casa dela.
Em resultado desta atitude de " pôr o ramo "muitos namoros e casamentos vieram a acontecer.
Como brincadeira, pois era disso mesmo que se tratava, os rapazes mais atrevidotes " levavam o ramo " às solteironas, preferencialmente mulheres com quem a beleza nada quiz,  para gáudio de outros que ficavam à distancia a apreciar a reação da visada.
Estamos a falar de um costume que durou muitos e muitos anos aqui em Monte Córdova, terra de gente rude, esforçada e de trabalho, típica de um Portugal de outros tempos, terra com trechos encantadores criados pela natureza,sobretudo aqueles que o rio Leça cavou por entre a rudeza da penedia e dos fraguedos.
É mais um apontamento etnográfico neste alfobre de usos e costumes de Monte Córdova.